Em diversos setores da indústria, a execução de projetos de capital desempenha um papel crucial, ainda que esses projetos não sejam o foco principal das empresas. 

Seja em indústrias de alimentos, químicos, siderurgia e metalurgia ou outras, o sucesso dos projetos é essencial para assegurar a competitividade e viabilizar o crescimento sustentável. 

Neste artigo, mostramos como uma abordagem estratégica dos projetos de metalurgia e siderurgia, desde as fases iniciais de desenvolvimento até a implantação e comissionamento, pode mitigar os riscos e maximizar os resultados. 

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Preparando o Terreno: A Importância das Fases de Desenvolvimento (FEL)

Antes de qualquer obra começar, as fases de desenvolvimento, conhecidas como FEL (Front-End Loading) são determinantes para o sucesso de um projeto. Essas fases incluem desde a concepção inicial até o planejamento detalhado, preparando o terreno para uma implantação eficaz. 

Uma má gestão nessas etapas pode resultar em uma “bola quadrada” na hora da implantação, aumentando os riscos de atrasos, estouros de orçamento e problemas operacionais. 

A Fase de Implantação: O Coração dos Projetos Industriais de Siderurgia e Metalurgia

A implantação é a fase em que o planejamento se materializa, mas também na qual ocorrem a maioria dos problemas. Por isso, a gestão eficaz desta fase é essencial

A etapa de implantação concentra a maior parte dos investimentos e onde os desvios podem comprometer o sucesso do projeto.

Como a implantação absorve uma grande fatia do CapEx, é fundamental ter um controle rigoroso dos custos e processos para evitar desperdícios.

Na gestão de projetos de metalurgia e siderurgia, a eficiência na gestão de recursos e na execução das atividades pode ser a diferença entre um projeto bem-sucedido e um fracasso financeiro.

Desafios Práticos na Implantação de Projetos Metalúrgicos e Siderúrgicos

Afinal, por que a obra para? Bem, as interrupções durante a construção são comuns e frequentemente resultam em atrasos e custos adicionais.

Em nossa experiência, observamos que a falta de materiais, inconsistências nas informações de engenharia e a falta de integração entre as disciplinas são as principais causas dessas paralisações em projetos.

Sabendo disso, negligenciar a gestão desses aspectos pode levar a cronogramas comprometidos e orçamentos excedidos. Por isso, é importante observar alguns fatores centrais:

Interferências e Restrição de Áreas nos projetos

As sobreposições de atividades e interferências físicas não identificadas previamente podem paralisar o progresso. Por isso, antecipar e mitigar esses problemas é essencial.

Vemos que a falta de um planejamento detalhado e colaborativo frequentemente resulta em conflitos no canteiro de obras, situação que pode ser evitada com abordagens adequadas.

Interfaces com Operações Existentes

Projetos em ambientes já operacionais (brownfield) apresentam desafios adicionais. Nos projetos industriais, é preciso garantir a continuidade das operações enquanto novas instalações são construídas exige coordenação entre ambas. Nossa experiência mostra que falhas nessa interface podem levar a interrupções operacionais e perdas financeiras significativas.

Complexidade de Montagem e Condições Adversas

Nos projetos de metalurgia e siderurgia, montagens em áreas confinadas ou sob condições climáticas extremas adicionam dificuldade. Abordar essas complexidades com técnicas e planejamentos específicos é crucial para o sucesso. Ignorar esses fatores pode resultar em atrasos e riscos à segurança dos profissionais envolvidos.

Last Planner System (LPS): melhorando a previsibilidade e gestão

O Last Planner System é uma metodologia que se concentra em planejar e controlar a produção de maneira colaborativa, envolvendo todas as partes interessadas no planejamento detalhado das atividades. Na gestão de projetos do setor de metais, o LPS é fundamental para garantir que o trabalho planejado seja viável com a alocação dos recursos necessários em tempo hábil.

O mapeamento de restrições e o planejamento colaborativo proporcionados pelo LPS ajudam a identificar e mitigar interferências e problemas de interface com operações existentes.

A abordagem colaborativa permite a definição de estratégias de execução que consideram a complexidade do projeto e as condições adversas, garantindo a coordenação exitosa das atividades e a abordagem proativa dos desafios.

A metodologia do LPS também melhora a gestão das interfaces entre as equipes e a coordenação das atividades no canteiro de obras, minimizando o impacto de interrupções e problemas de sobreposição.

Além disso, o LPS não só aumenta a previsibilidade dos projetos, reduzindo o risco de interrupções e melhorando a alocação de recursos, mas também estabelece uma base de estabilidade essencial para a implantação do Lean Construction.

Na prática, essa estabilidade pavimenta o caminho para melhorias contínuas nos processos, facilitando a realização de workshops de produtividade, a implementação de práticas de melhoria contínua e a criação de um ambiente onde o Lean pode prosperar.

Lean Construction: abordagem reduz desperdícios na fase de construção

A Lean Construction é uma abordagem que visa eliminar desperdícios e maximizar a eficiência. Para tanto, ferramentas e práticas como Takt, Logística Lean, Multimomento, Kaizen e 5S são fundamentais. Conheça mais sobre cada uma delas: 

  • Takt: sincroniza o ritmo de trabalho com a demanda do projeto. Isso permite um fluxo contínuo e evita esperas desnecessárias. Em projetos siderúrgicos e metalúrgicos com implementação do Takt, observamos reduções significativas no tempo de execução. 
  • Logística Lean: otimiza o fluxo de materiais e informações. A Logística Lean foca na entrega de materiais e recursos no momento exato em que são necessários, evitando excessos e faltas. A estruturação da Logística Lean envolve a criação de um sistema de suprimentos eficiente, que coordena a entrega de materiais com o cronograma das atividades no canteiro de obras. Um dos exemplos práticos da Logística Lean é o dimensionamento de layout de pátio de materiais e dos equipamentos a serem utilizados, que resulta em uma vazão eficiente dos itens necessários para construção. Em nossa experiência, essa abordagem minimiza os desperdícios relacionados ao armazenamento inadequado de materiais e garante que as atividades possam prosseguir sem interrupções devido à falta de insumos. 
  • Multimomento: é uma ferramenta que realiza observações aleatórias no canteiro de obras, registrando como o tempo é utilizado. Isso permite identificar gargalos, perdas de tempo e atividades improdutivas, proporcionando uma visão clara de onde o tempo é desperdiçado. Com esses insights, é possível ajustar a alocação de equipes e equipamentos, otimizando a produtividade e acelerando o progresso do projeto. Quando bem implementado, o multimomento transforma dados em melhorias concretas, elevando a eficiência da gestão e contribuindo para o sucesso da construção. 
  • Kaizen e 5S: promovem melhorias contínuas e organização do local de trabalho. A aplicação dessas práticas resulta em um ambiente mais seguro e produtivo. Negligenciá-las pode levar a ineficiências e riscos de acidentes 

Na Verum Partners, percebemos que a implementação das ferramentas Lean é crucial para evitar desperdícios e garantir uma construção eficiente. Quando a gestão de projetos é conduzida sem o suporte dessas práticas, atrasos, custos adicionais e retrabalhos costumam acontecer comprometendo a qualidade e o sucesso dos projetos. 

Transição da Construção para o Comissionamento: como garantir um start-up bem-sucedido

A transição entre a construção e o comissionamento é um processo crítico que requer cuidados específicos. A integração entre as equipes de construção e comissionamento deve ser mantida desde o início para garantir que todos os aspectos sejam considerados e abordados, minimizando o risco de falhas durante o start-up.

Para assegurar uma operação bem-sucedida, é fundamental que todos os sistemas sejam completamente testados, garantindo o funcionamento conforme esperado.

Além disso, a documentação do projeto deve ser precisa e detalhada, refletindo todas as especificações necessárias para operação e manutenção. Os membros da equipe precisam receber treinamento específico para operar e manter os sistemas, e é essencial conduzir simulações de operação para identificar e corrigir problemas potenciais.

De outro modo, também é mais do que recomendado ter um plano de contingência preparado para lidar com imprevistos. Assim, o gestor pode conduzir a equipe envolvida e garantir uma transição não turbulenta nos projetos industriais de siderurgia e metalurgia, da fase de construção para comissionamento.

Reflexões finais

Gerenciar projetos de capital de forma eficaz requer uma abordagem estratégica e a aplicação de metodologias com resultados comprovados. Nós, da Verum Partners, temos a expertise para apoiar nossos clientes e parceiros na implantação de projetos no setor de metais, trazendo gestão eficiente e soluções personalizadas. Acreditamos que a implementação adequada de metodologias como o LPS e da filosofia Lean é essencial para o sucesso do empreendimento.

Autores:

João Palhares – Master Consultant na Verum Partners

Lucas Carvalho – Director na Verum Partners

Thiago Campos – Director na Verum Partners

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