Há uma expectativa comum quando se fala em reinvenção de Projetos de Capital e Infraestrutura: a de que o avanço vem de ferramentas mais sofisticadas, como IA, automação e plataformas de dados integradas. Essas tecnologias importam, e importam muito. Mas colocá-las no centro da equação é um erro de diagnóstico.
O que determina se um projeto complexo entrega valor tem menos a ver com a tecnologia disponível e mais com a capacidade de conectar pessoas, áreas, empresas e dados em torno de um objetivo comum, como resume David Elio, Líder para a Reinvenção de Projetos de Capital para a América Latina na Accenture.
A seguir, entendemos por que essa fragmentação acontece e o que de fato leva um projeto complexo a entregar valor.
Por que ferramentas sozinhas não resolvem a fragmentação em Projetos de Capital
Projetos de Capital e Infraestrutura raramente falham por falta de ferramentas. Falham porque diferentes frentes, como engenharia, suprimentos, execução, cliente e fornecedores, operam de forma fragmentada, cada uma otimizando sua própria parte sem visão do todo.
Dados ficam espalhados em sistemas que não conversam entre si, e decisões acabam sendo tomadas com informação incompleta, porque a informação certa está em outra área, com outro dono, em outro formato. Automatizar esse tipo de processo não resolve o problema, apenas faz a fragmentação acontecer mais rápido.
Conexão entre pessoas e dados: a chave da reinvenção
Essa é a lógica que David resumiu de forma direta ao comentar a integração das capacidades de planejamento e execução da Verum Partners, Part Of Accenture com a capacidade tecnológica e de escala da Accenture:
“Sistemas complexos não são simplificados pela fragmentação. São simplificados pela conexão.”
A frase resume algo que a experiência prática em projetos confirma com frequência: o ganho real vem de ter uma fonte única da verdade, um ambiente em que pessoas, áreas, empresas e dados operam de forma colaborativa, e não simplesmente de acumular mais dados ou mais ferramentas.
O papel da expertise humana na reinvenção de projetos
A tecnologia segue tendo um papel central nesse processo: é ela que viabiliza a conexão em escala, permitindo que informações de diferentes frentes cheguem a quem precisa delas no momento certo. A decisão sobre o que conectar, como priorizar e qual problema resolver primeiro, no entanto, continua dependendo de leitura de contexto, gestão de relacionamento entre partes interessadas e julgamento sobre riscos que nenhum dashboard capta sozinho.
David também descreve, como essa combinação deveria operar na prática: um ambiente com diretrizes claras, mas também com espaço real para que os times desafiem modelos estabelecidos e proponham soluções, ou seja, autonomia com alinhamento, sem depender de controle centralizado ou de execução isolada.
Reinvenção na prática: por onde começar
Para quem lidera projetos do setor, a pergunta mais útil costuma ser outra: qual fragmentação estamos tentando resolver, e qual conexão entre pessoas e dados vai de fato resolvê-la? A tecnologia entra como acelerador do processo.
Reinvenção, nesse sentido, significa dar à expertise humana um ambiente conectado o suficiente para operar em toda a sua capacidade, com apoio da tecnologia, mas sem depender dela para pensar.